
O desempenho da Noruega na Copa do Mundo de 2026 está levando especialistas a reavaliar um dos temas mais debatidos no esporte moderno: como formar grandes atletas. Reportagem da Bloomberg mostra que o sucesso da seleção liderada por Erling Haaland não é fruto de um sistema voltado para a competição precoce, mas de um modelo que faz exatamente o oposto: privilegia a participação de todas as crianças, a prática de múltiplos esportes e o desenvolvimento gradual dos talentos.
Enquanto diversos países transformam o esporte infantil em um ambiente altamente competitivo desde os primeiros anos de vida, a Noruega consolidou uma filosofia baseada em outro princípio: “o maior número possível, pelo maior tempo possível e no melhor nível possível”. O objetivo é manter as crianças praticando esportes por prazer, sem a pressão por resultados imediatos. Nesse sistema, a seleção precoce de talentos é desencorajada, e vitórias nas categorias infantis são consideradas secundárias diante do desenvolvimento físico, técnico e emocional dos jovens atletas.
Erling Haaland tornou-se o maior exemplo desse modelo. Criado na pequena cidade de Bryne, o atacante cresceu em um clube comunitário aberto a todas as crianças. Os treinadores eram voluntários e a preocupação principal não era vencer campeonatos, mas garantir que todos jogassem. Dos cerca de 40 meninos daquela geração, 35 permaneceram praticando futebol até a idade adulta. Seis se profissionalizaram e cinco chegaram às seleções de base da Noruega, um índice extraordinariamente elevado para um município de apenas cerca de 14 mil habitantes.
Outro elemento central é a infraestrutura. Mesmo em uma região marcada por longos invernos e poucas horas de luz durante boa parte do ano, Bryne construiu um campo coberto que permitia às crianças jogar durante todo o ano. Isso favorecia o chamado “jogo espontâneo”, considerado por pesquisadores um componente essencial para o desenvolvimento da criatividade e da inteligência esportiva.
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